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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Litugia Diária - Santo do Dia

(Lucas 5,33-39)

Sexta-Feira, 2 de Setembro de 2011
22ª Semana Comum


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 33os fariseus e os mestres da Lei disseram a Jesus: “Os discípulos de João, e também os discípulos dos fari­seus, jejuam com frequência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem”. 34Jesus, porém, lhes disse: “Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? 35Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, eles jejuarão”.
36Jesus contou-lhes ainda uma parábola: “Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha. 37Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama; e os odres se perdem. 38Vinho novo deve ser posto em odres novos. 39E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor. 
 
No Evangelho de hoje, Jesus responde à pergunda dos judeus por meio de duas parábolas: do remendo e dos odres. O Mestre quer, com elas, mostrar que o Judaísmo antigo estava gasto. É preciso remendá-lo e não dá, porque a nova forma de religião, o Cristianismo, não poderia se encaixar dentro de estruturas velhas e impossíveis de se reformar. Tudo deve ser novo, como são os odres onde se deve colocar o vinho novo. Para os presos à tradição, essas palavras de Jesus eram duras e não se referiam unicamente ao jejum, mas a toda estrutura religiosa levantada sobre uma tradição mais humana do que propriamente bíblica, como dirá Jesus.
O Antigo Testamento não pode servir como referência essencial da verdadeira religião por Cristo promulgada. O Senhor nos chama de odres novos que devemos recebê-lo porque Ele é o “vinho novo”. Pois, do contrário, os fariseus estariam no verdadeiro caminho da salvação, o que foi tudo contrário. E o Senhor no-lo demonstra várias vezes, sobretudo, quando diz que o maior nascido de mulher é menor que o menor no Reino dos Céus ao referir-se a João Batista (cf. Mt 11,11).
Ele é o Esposo que está com Seus amigos no meio das bodas e, por isso, estes não podem jejuar. Assim sendo, o amor se transforma em gozo com a presença de Jesus.
O jejum, dos três elementos determinados na Quaresma pela Igreja, é o menos praticado e talvez o menos entendido pelos fiéis. Constitui a penitência com respeito a si mesmo, para que o corpo não seja o último a ditar as ordens e o espírito seja dominado pela carne. É o jejum ascético que pode se transformar em jejum expiatório, como penitência.
Jesus toma o lugar de Iahweh com uma nova característica: Ele é o amigo, o íntimo, no qual o homem encontra um amor especial que recebe e dá como um igual ou semelhante. O Verbo escolhe o homem como Sua morada revestido de humanidade – dirá Paulo – e também os homens como seus íntimos.
O discípulo de Jesus, batizado em nome da Santíssima Trindade, é aquele que está em comunhão – quer eclesial, quer sacramental – e está “obrigado” pelo próprio Senhor a ser o pano, o odre novo.
Aliás, as palavras pano sem estrear e manto velho estão escolhidas propositadamente. Significam a incompatibilidade da mentalidade antiga para receber as verdades e as práticas do Reino. O exclusivismo judeu, a circuncisão, as leis de impureza, o sábado e o Templo não seriam mais os referenciais dos novos tempos. Porque os verdadeiros adoradores hão de adorar a Deus em espírito e vida. Como cristãos somos chamados e “obrigados” a abandonar o orgulho, fonte da hipocrisia e o desprezo aos pobres e excluídos. O espírito do Reino de serviço e humildade não entrava dentro da ambição reinante.
Se a primeira comparação – o pano – era uma lição dada aos conterrâneos, a segunda comparação – os odres – é um aviso aos discípulos: não queiram transvasar o espírito e as verdades do Reino a antigas e caducas instituições. O vinho indica a alegria do banquete que não deve faltar em nossa mesa.
Assim, o espírito de amizade deve substituir o espírito de formalismo e temor do Antigo Testamento. O “vinho novo” é o Sangue de Jesus, que deve ser recebido em “odres novos”, que é o meu e o seu coração. Porque quem come e bebe o Corpo e o Sangue de Cristo indignamente, come e bebe a própria condenação.
Antes de se aproximar do banquete Eucarístico, purifique, lave, confesse os seus pecados, porque “vinho novo deve ser posto em odres novos”.
Padre Bantu Mendonça
 

Santa Doroteia


Santa Doroteia Nascida em Cesareia da Capadócia no Século III, Santa Doroteia teve seus pais martirizados. Em sua liberdade e formação herdada principalmente dos pais, Doroteia escolheu viver sua juventude na castidade perfeita (virgindade consagrada), em jejum e com muita oração, atraindo desta maneira a afeição daqueles que eram testemunhas de sua humildade, doçura e prudência.

Doroteia foi uma das primeiras vítimas do governador Fabrício, que recebeu ordens imperiais para exterminar a religião cristã. Após um interrogatório, que não a fez renunciar a Jesus, ela continuava cheia de alegria, e dizia: "Tenho pressa de chegar junto de Jesus, meu Senhor, que chamou para si os meus pais".

Teófilo, um advogado, em tom de brincadeira, disse para Doroteia que enviasse do jardim de seu esposo frutos ou rosas, e Doroteia, levando a sério, disse que se ele acreditasse em Deus ela faria o que ele havia pedido.

Aconteceu que antes dela morrer, pediu uns instantes para rezar, chamou um menino de seis anos e entregou-lhe o lenço com o qual havia enxugado o rosto a fim de que chegasse para o advogado Teófilo.

O menino entregou o lenço, justamente na hora em que Doroteia foi decapitada (no ano de 304) e Teófilo entendeu a mensagem de Cristo, e de perseguidor dos cristãos, converteu-se pelo testemunho e intercessão da santa mártir aceitando livremente morrer decapitado por causa do nome de Jesus.


Santa Doroteia, rogai por nós!

 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Homilia Diária

A obra de Jesus é feita em unidade com o Pai


Jesus é um personagem incômodo ontem, hoje e sempre. A motivação desta incomodidade é que Jesus fala, diz a verdade, e a verdade é exigente, interessa à vida e incide sobre o comportamento humano: “Eu e o Pai somos um”.
Ele revela que o povo – que acorrendo participava das festas judaicas em torno do Templo, – na realidade, faz parte das Suas ovelhas, chamadas a escutar as Suas palavras e O seguir. Foi Deus, Seu Pai, quem as deu, e ninguém as arrancará da mão do Pai. Assim, Jesus desautoriza os chefes religiosos de Israel, com seu Templo e suas sinagogas, a se considerarem verdadeiros pastores. Eles, ao oprimirem e explorarem o povo estão rejeitando a Jesus e, consequentemente, se excluindo do dom que o Pai comunica por Seu Filho Unigênito.
A verdade que Jesus trouxe, a grande novidade, é que Ele é o Filho de Deus. Sua identidade é de origem divina.
Sua filiação divina se torna difícil aceitar para todo aquele que, humana e racionalmente quer entender e, para tal, não se abre à transcendência. Por isso, a inquietação e pergunta do chefe do Sinédrio: “És tu o Messias, o Filho de Deus bendito?”
Ante esta pergunta, Jesus respondeu: “Eu sou” (Mc 14, 61b-62a), afirmando que o Messias é o Filho de Deus, o mundo religioso judaico, com seus chefes, pareceu acabar por causa de um “terremoto” tal, que provocou nos detentores o pânico total de perder o poder religioso e político, seu estado social e familiar. A reação foi chata: a morte.
Jesus provoca “terremotos” também hoje nas pessoas e nos povos, enfrentando as ideologias e o pensamento pós-moderno. Provoca igualmente na sociedade, com Suas denúncias contra o permissivismo e relativismo, com Seus fortes chamamentos a reconhecer a dignidade do homem, feito à imagem e semelhança de Deus e redimido por Jesus Cristo, Salvador e Redentor.
Pela primeira vez, – em todos os Evangelhos – Jesus faz uma autoproclamação expressiva de Sua união com o Pai. A obra de Jesus é feita em unidade com o Pai. Esta obra, à qual somos chamados, é o dom do amor e da vida eterna. Seja meu irmão, minha irmã, um com Jesus. Converta-se em dádiva, em graça no amor pela vida.

Padre Bantu Mendonça

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Jesus, o Bom Pastor, manifesta a ternura do Pai

Jesus nos responde “Eu sou o Bom Pastor”. Entendamos na palavra “bom” o sentido de “modelo a ser seguido”. E então teremos a resposta certa. Jesus é o modelo de pastor, o Pastor ideal.
O verdadeiro pastor é aquele que presta o seu serviço por amor e não por dinheiro. Ele não está apenas interessado em “cumprir o contrato”, mas em fazer com que as ovelhas tenham vida e se sintam felizes. Sua prioridade é o bem das ovelhas que lhe foram confiadas. Por isso, ele arrisca tudo em benefício do rebanho e está, até, disposto a dar a própria vida por elas, porque as ama. Nele as ovelhas podem confiar, pois sabem que ele não defende interesses pessoais, mas os interesses do seu rebanho. Você que é presidente, governador, político, bispo, sacerdote, diácono, consagrado, catequista, casado, pai – e assim por diante – como tem sido um bom pastor para as ovelhas que lhe foram confiadas por Deus?
O bom pastor dá a sua vida. Ouvimos bem claro hoje Jesus dizendo isso para nós. Isso requer que estejamos conscientes da nossa tarefa, do nosso dever. Lembro a você que ao dar a vida, Jesus está consciente de que não perde nada. Quem gasta a vida ao serviço do projeto de Deus, não perde a vida, mas está a construir – para si e para o mundo – a vida eterna e verdadeira. O seu dom não termina em fracasso, mas em glorificação. Para quem ama, não há morte, pois o amor gera vida verdadeira e definitiva.
O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. Jesus se apresenta como o Bom Pastor, modelo de pastor ideal em polêmica com os sumos sacerdotes e mestres da Lei, denunciando o modo como o povo era tratado por seus líderes. Diferentemente do mercenário, como bem nos escreve João, que não se importa com as ovelhas, Jesus é aquele que vive para os Seus. Ele conhece e dá a Sua vida para que tantos tenham vida. Por isso, o Pai O ama e concede a Ele o poder de tirá-la e recebê-la. “Ninguém tira a minha vida, Eu a dou por mim mesmo; tenho poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; essa é a ordem que recebi do meu Pai” (Jo 10,18).
Essa missão é marcada por uma relação pessoal e íntima com as ovelhas, conhece a cada uma, fruto do amor-doação. Mas, ao mesmo tempo, não se limita às fronteiras de Israel: “Tenho também outras ovelhas…”. Seus cuidados de Pastor destinam-se a levar vida a todos os povos da terra.
Em Jesus realiza-se a ação do Pai, n’Ele e por Ele a Salvação chega ao universo, como Lucas reconhece nos Atos dos Apóstolos: “Em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos”.
Em Jesus recebemos o grande presente do Pai: somos todos considerados filhos de Deus. Desta consciência deve nascer toda a nossa alegria e esperança. Se o mundo em que vivemos nos revela que perdeu o seu sentido de ser, estando entregue à violência, à corrupção exagerada e ao consumismo desenfreado, nós – eu e você – temos o grande compromisso de nos empenharmos nesta luta por ver triunfar, neste mundo, o amor.
A entrega de Jesus não é um “acidente” ou uma “inevitável fatalidade”, mas um gesto livre de alguém que ama o Pai e ama os homens e escolhe o amor até as últimas consequências. O dom de Cristo Ressuscitado é um dom livre, gratuito e generoso. Em Sua decisão de oferecer livremente a vida por amor, manifesta-se o Seu amor pelo Pai e pelos homens.
Neste dia, louve e agradeça a Deus porque Ele é bom, pois, em Jesus – o Bom Pastor – manifesta-se a ternura do Pai que quer nos conduzir.

Padre Bantu Mendonça

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Homilia Diária

A Eucaristia é vida e compromisso.


Toda pessoa sabe que, se não comer, ela morre. Há um ditado popular que diz: “saco vazio não para em pé”. Sabe também que, quem come pouco ou passa fome, fica desnutrido, fraco e muito mais propenso a doenças e até à morte.
Comer o pão e beber o vinho é, em primeiro lugar, viver. É fácil perceber o que o Senhor quis nos ensinar, ao usar este símbolo: assim como sem comida, até o mais forte dos corpos definha e morre, assim também até o maior dos santos, sem a Eucaristia, não consegue se sustentar.
Durante todo o Evangelho, podemos perceber a importância que Cristo dá às refeições. Várias vezes, Ele come com os fariseus, com os publicanos, com os pecadores.
Durante as refeições, o Senhor ensinava e exortava. Por isso, nada mais natural do que escolher uma refeição para nela instituir a Eucaristia (Jo 13,2). A palavra “Koinonia”, significa comunhão. São pessoas que estão juntas, partilhando, comungando da mesma refeição.
Na família, o momento da refeição é o momento de reunião, de troca, de se por os assuntos em dia. É nesses momentos que a união da família se solidifica. Quando queremos confraternizar numa festa, sempre existe refeição para se partilhar. Quando queremos aumentar nossa intimidade com alguém, convidamos para comer juntos. Se tudo isto é verdadeiro para simples refeições diárias, quanto mais será para a refeição eucarística compartilhada. É nessa mesa do Pão vivo que se opera a unidade real e misteriosa da Igreja. (I Cor 10,16-17)
A Eucaristia é sacramento da unidade. Ela une a Igreja em torno de Cristo, de Seu sacrifício. A Igreja “comunga” com Ele. Torna-se o corpo de Cristo, unindo-se como células, que recebem o mesmo alimento, e são purificadas pelo mesmo sangue. Assim como o pulmão difere do intestino na sua anatomia e função, – mas ambos são essenciais e pertencentes ao mesmo corpo, – nós também, embora sendo diferentes uns dos outros, somos membros de Cristo pelo batismo. Uma só fé, um só batismo, um só Espírito. Esta é a essência da unidade, operada e mantida pela comunhão do Corpo e Sangue de Cristo.
Que pelo conhecimento que o Senhor nos dá do valor da Eucaristia, puro dom de Deus para a nossa salvação, possamos participar dela, com novo ânimo, de maneira a sermos curados, libertos e restaurados. E, assim comprometidos, partilhá-la com nossos irmãos.
Por tudo que disse posso concluir e afirmar sem medo de errar: a Eucaristia é vida e compromisso. É partilha e serviço.
Padre Bantu Mendonça

sábado, 7 de maio de 2011

Homilia Diária

"Sou eu. Não tenhais medo"

Para interpretar com fidelidade a passagem de hoje, temos que usar o simbolismo, pois, sem ele, a narrativa parece ser um sucesso normal em que um homem se revela com poder especial sobre a natureza.
Em primeiro lugar, Jesus deixa Seus apóstolos sozinhos, à noite, no meio do mar que, por seu estado de turbulência, aparece como representante do mal, dominado pelo maligno. Por outro lado, a barca, com tudo o que na hora representava o Reino de Deus, era realmente uma pequena semente de mostarda. Sem Jesus, o vento contrário a domina e a impede de chegar a seu destino. Não adianta o esforço dos remos porque a vela, com o vento contra, não pode ser usada. E esse vento não é humano.
Aparentemente, os discípulos estavam sós. Mas, na realidade, Jesus estava ali seguindo-os e muito próximo deles. Para eles, o Senhor, como a visão do espectro, parecia como alguém saído das profundezas do mar, era um espírito maligno que os atormentava e produzia o vento furioso que impedia seu avanço. Somente as palavras amigas do Mestre logram acalmar os nervos e aportam a tranquilidade e sossego necessários. Era Ele o Amigo mais do que o Mestre, o forte no momento da fragilidade; Ele, e unicamente Ele, traria a solução do problema que os afligia.
Pedro, uma vez mais, se mostra impetuoso e mais confiante do que seus companheiros. Não só reconhece o Mestre como também quer participar desse poder de estar acima do mal, representado pelas águas turbulentas do mar. Ele sabe que o poder de Jesus não é unicamente pessoal, mas atinge igualmente seus mais íntimos amigos e reconhece na prática o que ele dirá mais tarde: “Em ti unicamente eu confio, pois cremos e reconhecemos que Tu és o Santo do Deus!”, que melhor podemos traduzir por “o Ungido de Deus”.
Porém, sempre existe a dúvida e a indecisão após tomar uma atitude valente e corajosa. O vento e o mar agitado abalam a fé e a confiança de Pedro. E unicamente a resposta de Jesus, diante da súplica angustiada do apóstolo, restabelece a situação e o salva. A oração de Pedro é o grito que deverá salvar muitas vidas do fracasso total: “Senhor, salva-me!” Nela encontramos a força que nos falta e a fé que a procura.
O trecho de hoje está escrito precisamente para demonstrar que a transcendência e independência de Jesus, manifestada com Suas palavras e Seu proceder diante das leis e costumes tradicionais e perante as leis físicas da natureza, revelam Seu domínio absoluto sobre as crenças e Seu senhorio total – como Criador e não como criatura – sobre os acontecimentos, de modo que a nossa resposta de hoje não pode ser outra que a dos que estavam no barco: “Verdadeiramente, Tu és o Filho de Deus!
Padre Bantu Mendonça

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Homilia Diária

O Pão que alimenta a nossa alma

Nosso Senhor sabe que o caminho é longo, sabe que somos fracos. É o que vemos no Evangelho de hoje: Jesus tem compaixão daquele povo que já estava cansado e com fome. Assim, não querendo despedi-los nesse estado, o Senhor realiza o portentoso milagre da multiplicação dos pães.
O que vinha a ser esse milagre de Nosso Senhor? Uma figura da multiplicação de um pão muito mais excelente: vendo nossa fraqueza espiritual, Jesus, por amor, quer multiplicar um pão para alimentar nossa alma na caminhada para o céu: Ele mesmo na Santíssima Eucaristia!
Na Exortação Apostólica Sacramentum Charitatis o Santo Padre Bento XVI descreve a Santíssima Eucaristia como doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste sacramento admirável, manifesta-se o amor “maior”: o amor que leva a “dar a vida pelos amigos” (cf. Jo 15,13).
De fato, Jesus “amou-os até ao fim” (cf. Jo 13,1). Com estas palavras, o evangelista introduz o gesto de infinita humildade que Ele realizou: na vigília da Sua Morte por nós na cruz, pôs uma toalha à cintura e lavou os pés dos Seus discípulos. Do mesmo modo, no Sacramento Eucarístico, Cristo continua a amar-nos “até ao fim”, até ao dom do Seu Corpo e do Seu Sangue. Que enlevo se deve ter apoderado do coração dos discípulos à vista dos gestos e palavras do Senhor diante da multiplicação dos pães, prefigurando, deste modo, a Ceia Pascal!
Que maravilha este gesto da multiplicação! Ele deve suscitar, também no nosso coração, o mistério Eucarístico. Pois, quando Jesus age, as pessoas ficam satisfeitas. Observe as expressões: “o quanto queriam” [...] “já estavam fartos”. Quando Jesus age, há fartura: sobraram doze cestos.
Os Doze Apóstolos representavam a mim, a você e a todo o povo de Deus como comunidade do Espírito. O milagre pode ser contínuo se acolhemos a Palavra e o gesto de Jesus. Lembro que quando o Senhor age, a Sua glória se manifesta. Os sinais têm como objetivo principal levar as pessoas à fé em Jesus e à Salvação.
Portanto, como mendigo do “pão do céu” corra para Jesus, o pão da Vida! E tendo encontrado a Ele, partilhe agora com seus irmãos tão sedentos da vida quanto você. Não esconda os talentos que Deus lhe deu.
Veja que Jesus estando presente faz a diferença, convida Seus discípulos a participarem do milagre. Primeiro, pela generosidade do garoto que havia trazido os pães e os dois peixes. Depois pela distribuição. Os discípulos são convidados a levar um pedaço de pão e peixe a toda aquela multidão. Como disse, Jesus tem poder para agir e estava decidido a alimentar aquela multidão faminta. Mas Ele quis contar com a cooperação dos Seus discípulos. Os discípulos de Jesus, hoje, somos eu e você. Ele, – assim como ontem – conta com a sua colaboração, sua ajuda e seu serviço.
É verdade que os talentos humanos têm os seus limites, mas para Jesus tudo é possível. Diante da presença e da autoridade de Cristo, os discípulos agora não argumentam nem discutem, mas obedecem! Perguntemo-nos: Será que nós, hoje, estamos com Jesus naquilo que Ele quer fazer usando nossos talentos?
Padre Bantu Mendonça

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Homilia Diária

Acolher a Palavra que veio do céu

Mais uma vez estamos diante dos opostos, característicos de São João: céu e terra. Enquanto o homem Adão foi tirado da terra e por isso à terra pertence, o Homem Jesus vem do céu e por isso ao céu pertence. Suas palavras e ações são de onde Ele veio.
Neste texto de hoje, Jesus continua se dando a conhecer como sendo o único que veio do céu, que possui a vida e cuja Palavra supera todas as outras. Pois Ele somente fala do que viu e ouviu do Seu Pai, que está no céu. Quem aceita o Seu testemunho e crê n’Ele recebe o Espírito e tem a vida eterna, extraordinário e maravilhoso dom de Deus!
O evangelista nos convida, no dia de hoje, a olhar para Jesus acolhendo as Suas palavras e as transformando em um Evangelho vivo na nossa vida. Visto que são palavras de vida eterna. E se é verdade que fomos regenerados e renascidos na água e no fogo do Espírito – como diz São Pedro – devemos aspirar ao leite puro e espiritual, a fim de que por ele possamos crescer para a salvação.
Portanto, por Ele e n’Ele, toda a humanidade recebe – não por direito e por mérito, e sim por mera benevolência de Deus – a vida eterna, ontem, hoje e sempre!
Quem dera, meu irmão e minha irmã, se hoje ouvíssemos a Sua voz e não fechássemos os nossos corações, mas que os abríssemos profundamente para acolhermos a Sua Palavra e transformá-la no Evangelho vivo em nossa vida.
Acolhamos e acreditemos nas palavras d’Aquele que veio do céu. Pois em nenhum outro nome podemos ser salvos, senão no Nome de Jesus!

Padre Bantu Mendonça

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Pai envia seu Filho unigênito por amor.

O tema central do Evangelho segundo João é a presença do próprio Filho de Deus no mundo, para que o mesmo seja salvo por Ele. Jesus é o único que desceu do céu para dar a vida eterna a todos que crerem n’Ele.
A Salvação, como foi projetada, está associada diretamente à redenção do homem, a qual equivale ao pagamento de um resgate por alguém escravizado e condenado graças à Encarnação do Verbo.
No prólogo do seu Evangelho, João nos mostra como Deus manifestou o Seu amor para conosco. A Palavra – que em Gênesis 1,1 criou todas as coisas, – veio habitar entre nós tomando a carne humana, pois a Encarnação do Filho de Deus se fez em um processo normal de gestação, embora a Sua concepção fosse por ação do Espírito Santo.
A condição humana é assumida por Deus desde o ventre materno de Maria. Em Jesus, o Filho de Deus, o humano se une ao divino e eterno. Quem crê em Jesus participa da Sua condição divina e eterna. Crer em Jesus é unir-se a Ele na prática da verdade, isto é, na prática de tudo aquilo que está conforme a vontade do Pai. É por isso que Lucas – descrevendo a vida da Igreja Primitiva – diz que os que abraçaram a fé tinham “um só coração e uma só alma”.
Quer dizer, o homem iluminado pela luz pascal se une totalmente a Cristo que se fez um com o Pai, cumprindo e fazendo a Sua vontade. N’Ele se opera um contraste. Porque, assim como Cristo vive, ele também viverá embora esteja ainda vivendo no seu corpo mortal. Estabelece-se, destarte os contrastes: vida e morte, luz e trevas frequentes no Evangelho segundo João. Trevas é ausência de luz. Aonde chega a luz, as trevas desaparecem. Assim também, a vida e a morte. Onde chega a vida, a morte desaparece. Na comunhão com Jesus, na prática da vontade de Deus, na verdade e na justiça, promovendo a vida plena para todos, goza-se da vida eterna.
Ao não encontrar na terra quem pudesse pagar, com a própria vida, o preço do resgate do homem de seus pecados, Deus enviou o Seu único Filho para que o fizesse, livrando, assim, a humanidade da condenação eterna. Desta forma, Deus dá prova do Seu amor para conosco: “Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Romanos 5,8).
Senhor, dai-me uma fé viva que me faça abandonar as trevas do meu coração e da minha mente, a fim de que iluminado pela vossa Palavra eu não morra nos meus pecados, mas sim, tenha a vida eterna.
Padre Bantu Mendonça

terça-feira, 3 de maio de 2011

Homilia Diária

“Quem me vê, vê o Pai”

“Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!” Esta foi a preocupação de Filipe no Evangelho de hoje e pode ser a de muitos diante de uma situação sem solução humanamente falando. Jesus, no quarto Evangelho, fala frequentemente da Sua relação com o Pai, da Sua união com Ele, pelo fato de ter sido enviado por Ele. Os discípulos, agora representados por Filipe, queriam algo mais: uma visão direta do Pai. E então, respondendo, Jesus Se lhes revela: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim!” Sua essência com o Pai é a mesma. Ele é o eterno Filho de Deus. N’Ele, por Ele e para Ele, foram criadas todas as coisas.
Mas esse desejo estava em contradição com aquilo que já nos aparece no prólogo de João: A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer (Jo 1,18). Mas os discípulos não souberam reconhecer na presença visível do seu Mestre as palavras e as obras do Pai porque, para ver o Pai no Filho, é preciso acreditar na união recíproca que existe entre ambos. Só pela fé se reconhece a mútua imanência entre Jesus e o Pai. Por isso, a única coisa que havemos de pedir é a fé, esperando confiadamente esse dom. Jesus, ao apelar para a fé, apoia os Seus ensinamentos em duas razões: a Sua autoridade pessoal, tantas vezes experimentada pelos discípulos, e o testemunho das Suas obras.
A obra de Jesus, inaugurada pela Sua missão de revelador, é apenas um começo. Os discípulos hão de continuar a Sua missão de Salvação, farão obras iguais e mesmo superiores às Suas. Jesus quer mesmo dar coragem, aos Seus e a todos os que hão de acreditar n’Ele, para que se tornem participantes convictos e decididos na sua própria missão.
Jesus falou muito do Pai. Filipe entusiasmou-se e pediu a Jesus que lhe mostrasse o Pai. Mas o Senhor respondeu-lhe: “Quem me vê, vê o Pai”. Filipe queria ver o Pai, mas não conseguiu vê-lo em Jesus. Ao contemplar o Mestre ficou pela realidade externa, não conseguindo atingir o interior, a sua realidade íntima, com o olhar penetrante da fé. O verbo «ver», para João, indica duas ordens de realidades: a do sinal visível e o da glória do Verbo.
“Eu estou no Pai e o Pai está em mim”. Jesus é a revelação do amor, de um amor generoso que quer espalhar-se sem limites, que não tem ciúmes: “quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas”.
Pai, que eu saiba reconhecer-te na pessoa de Jesus, expressão consumada de teu amor misericordioso por todos os que desejam estar perto de Ti.
Padre Bantu Mendonça

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Homilia Diária

O arrependimento é essencial à verdadeira conversão.

 
Neste texto do Evangelho de hoje, temos o diálogo de Jesus com Nicodemos, que é um convite à conversão. Coloca em confronto as duas opções: aquele que crê e aquele que não crê, aquele que pratica o mal e ama as trevas e aquele que pratica a verdade e se aproxima da luz.
Jesus rejeitava, muitas vezes, àqueles que tentavam segui-Lo. A um jovem rico que buscava o Seu conselho, Ele replicou com palavras tão fortes que o homem foi embora entristecido, não disposto a segui-Lo a tão alto preço. A um importante líder religioso, Nicodemos, que vinha louvando Jesus, o Senhor respondeu abruptamente: “Você tem que nascer de novo, se quiser ao menos ver o reino de Deus!” Jesus pintava francamente as dificuldades de segui-Lo e rejeitava todos os que tentavam fazê-lo de forma inadequada. Cristo pregou sobre o tema: “Não pode ser meu discípulo”, discutindo abertamente a necessidade de calcular o custo antes de iniciar o discipulado.
Não porque o Senhor não quisesse seguidores. Ele veio ao mundo para buscar e salvar os perdidos. Ele estava profundamente comovido pelas multidões perdidas e ansiava pela conversão desta. Mas sabia que não seria fácil para os homens segui-Lo e que eles estariam inclinados a enganar-se a si mesmos, pensando que eram discípulos, quando não o eram de fato. O Senhor nunca deixou de declarar francamente o que a conversão real exige.
A troca de palavras entre Jesus e Nicodemos, neste Evangelho de hoje, é fascinante. Esse homem era um chefe religioso e se dirigiu ao Senhor louvando Seus ensinamentos e milagres. É difícil saber o que se passava na mente de Nicodemos, enquanto falava. Talvez estivesse esperando louvor, uma posição na administração de Jesus ou um voto de confiança pela obra que ele mesmo estava fazendo, como mestre em Israel. Mas a resposta surpreendente de Jesus foi: “Nicodemos, você precisa começar tudo de novo, se quiser entrar no reino de Deus”. Seja o que for que esse homem estivesse esperando, não era isso! A resposta de Jesus significa que toda a religião de Nicodemos, toda a sua atividade no ensino e toda a sua posição no Judaísmo eram sem valor em relação ao domínio de Deus.
Nós também precisamos ver que toda a nossa religião e nossa grandeza nada valem. As realizações do passado nada representam. Precisamos recomeçar tudo novamente para sermos capazes de entrar num relacionamento com Deus.
Mas, para isso, basta olhar para o que Jesus ensinou. Para Ele é loucura começar um projeto sem entender primeiro o que será exigido para terminá-lo. Ele ilustrou isso com a ideia de um homem que começou a construir uma torre, mas loucamente se esqueceu de fazer um orçamento para determinar se teria fundos para completá-la e, assim, teve que parar no meio do projeto. A verdadeira conversão necessita de um cuidadoso exame do estilo de vida que Deus espera do convertido.
O arrependimento, que é essencial à verdadeira conversão, envolve morte ao pecado. A Bíblia o compara à morte e ressurreição de Cristo. Tem que haver uma mudança de estilo de vida radical. A Bíblia usa termos como “matar o velho homem” e “revestir-se com o novo homem”, e descreve com minúcias as mudanças exatas que precisam ser feitas. Maus hábitos — embriaguez, imoralidade sexual, ira, ganância, orgulho, etc. — precisam ser eliminados da própria vida, ao passo que devem ser acrescentados o amor, a verdade, a pureza, o perdão e a humildade. Este é o resultado do arrependimento.
Muitas pessoas tentam ser convertidas e converter outras, sem arrependimento. Elas ensinam um Cristianismo “indolor”, que não exige sacrifício. E salientam as emoções, a felicidade e as bênçãos, porém, pensam pouco sobre as mudanças reais que a conversão exige na vida diária da pessoa. Entendamos isto claramente: não há conversão sem transformação. Aquele que acreditou e foi batizado, aquele que até mesmo foi aceito na Igreja e participa fielmente das atividades religiosas, mas que não se arrependeu, não é salvo. O arrependimento é um compromisso sério, determinado, para mudar a própria vida.
Para tomar parte realmente na Ceia do Senhor, a pessoa necessita nascer de novo, no poder da água e do Espírito Santo. Ela precisa executar o ato certo, pelo motivo certo, sendo uma discípula fiel de Cristo.
Padre Bantu Mendonça

domingo, 1 de maio de 2011

Homilia Diária.

Jesus é Senhor e Deus!


No texto anterior ao de hoje, Maria Madalena trouxe a notícia da Ressurreição aos discípulos incrédulos. Agora, é o próprio Jesus que aparece a eles. Não há reprovação nem queixa nas Suas palavras, apesar da infidelidade de todos eles, mas somente a alegria e a paz que já havia prometido no último discurso. Duas vezes Jesus proclama o Seu desejo para a comunidade de Seus discípulos – “A paz esteja com vocês”.
O nosso termo “paz” procura traduzir – embora de uma maneira inadequada – o termo hebraico “Shalom”, que é muito mais do que “paz” conforme o nosso mundo a compreende. O “Shalom” é a paz que vem da presença de Deus, da justiça do Reino, e não das armas.
Jesus não promete a “paz do comodismo”, pelo contrário, envia os Seus discípulos à missão árdua em favor do Reino. Contudo, Ele promete o “Shalom”, pois nunca abandonará a quem procura viver na fidelidade ao projeto de Deus. Jesus soprou sobre os discípulos, – como Deus fez sobre Adão quando infundiu nele o espírito de vida – e os recria com o Espírito Santo.
Normalmente, imaginamos o Espírito Santo descendo sobre os discípulos em Pentecostes, como Lucas descreve em Atos. Mas esse acontecimento é a descida oficial e pública do Espírito para dirigir a missão da Igreja no mundo. Para João, o dom do Espírito, que da sua natureza é invisível, flui da glorificação de Jesus, da Sua volta ao Pai. O dom do Espírito – neste texto – tem a ver com o perdão dos pecados.
Mais uma vez, num domingo, Jesus aparece aos discípulos. Desta vez, Tomé está presente.
Em Tomé, vejo a mim e a você quando – diante dos sofrimentos e tribulações da vida – vacilamos e quando duvidamos do poder do Cristo Ressuscitado. Todavia, como Jesus fez e disse a Tomé, Ele também faz e diz para nós. Primeiro, fortalece nossa fé e depois nos torna felizes, por acreditarmos sem O termos visto: “Felizes os que acreditam sem Me terem visto”.
Essa é muitas vezes a realidade da nossa fé – acreditar, contra todas as aparências, que o bem é mais forte do que o mal, a vida do que a morte, o “Shalom” do que a prepotência. Somente uma fé profunda e uma experiência da presença do Cristo Ressuscitado vai nos dar essa firmeza.
Tomé confessa Jesus nas palavras que o Salmista usa para Javé no Salmo 35,23. No primeiro capítulo do Evangelho de João, os discípulos deram a Jesus uma série de títulos que indicaram um conhecimento crescente de quem Ele era. Aqui, Tomé lhe dá o título final e definitivo: Jesus é Senhor e Deus!
Essa deve ser a minha e a sua atitude: confessar plenamente que Jesus é o Senhor! Ele, o Príncipe da Paz.
Padre Bantu Mendonça

sábado, 30 de abril de 2011

Homilia Diária

Não profane o dia do Senhor!

O Evangelho de Marcos termina com as mulheres junto ao túmulo vazio e o anúncio da Ressurreição de Jesus Cristo pelos anjos. Jesus presente pede que os discípulos partam para a Galileia. Hoje, Jesus aparece aos onze discípulos e os envia em missão a fim de anunciarem o Seu Reino de amor e de paz, fazendo todos os homens e mulheres discípulos. Oito dias depois Ele aparece de novo.
Quero de modo muito especial destacar o dia em que acontece a missão: domingo bem cedo. É o primeiro dia da semana e, portanto, dia do trabalho. Mas que tipo de trabalho? É o dia que para nós Deus refez tudo de novo. Nova terra e novos céus tiveram início com a vitória do Mestre sobre a morte. Dia do poder salvador de Deus.
O domingo tem de ser para nós o dia de Jesus Ressuscitado, que nos enche de esperança e de coragem para enfrentar os trabalhos e amarguras da semana. É o dia de retemperar as forças, ou seja, “recarregar as baterias” para que produzam mais luz, para que participemos da Celebração da Paixão-Morte-Ressurreição de Jesus. E é festa tão grande que celebramos todas as semanas. Cada domingo é dia de Páscoa, é dia de Jesus Ressuscitado. É o dia do Senhor, como exprime a palavra “domingo”. É passagem e a festa da alegria. É a vitória de Jesus sobre o pecado, sobre o demônio.
No entanto, o tempo em que vivemos o dia do Senhor tem sido profanado por trabalhos indevidos. É profanado pelas faltas à Santa Missa por parte de tantos cristãos. Por muitos que se divertem à maneira dos pagãos ou que se encharcam de álcool nesse dia. A você eu me dirijo: Como você e os seus vivem o domingo, dia do Senhor? Como pagãos ou como cristãos?
As pessoas se esquecem de que é o dia do Senhor e que Ele está aqui, agora, no meio de nós como há dois mil anos. Está vivo e ressuscitado!
O domingo há de ser dia de caridade, visitando os doentes, os idosos, os familiares. Dando mais atenção aos filhos ou aos pais. Ele é o dia de viver na íntegra as palavras do Mestre: “Ide ao mundo inteiro e pregai o Evangelho a todos os povos“. Cabe também a nós este anúncio e testemunho do Reino de Deus presente no nosso meio ao longo dos séculos.

Padre Bantu Mendonça

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Homilia Diária

Jesus nos transmite a verdadeira paz

Depois de Jesus ter aparecido a Maria Madalena e ter dado ordens para que os Seus discípulos partissem para a Galileia e após o encontro de Jesus Ressuscitado com os dois discípulos – na estrada de Emaús, – Ele finalmente aparece ao grupo dos apóstolos para lhes dissipar as dúvidas e fortalecer a fé, pois a comunidade estava vacilando em sua fé – as perseguições estão no horizonte, ou até acontecendo; o primeiro entusiasmo diminuiu, os membros estão cansados da caminhada e perdendo de vista a mensagem vitoriosa da Páscoa. Parece mais forte a morte do que a vida, a opressão do que a libertação, o pecado do que a Graça. E, então, Jesus aparece e lhes diz: A PAZ ESTEJA CONVOSCO.
Prova-lhes a Sua autêntica Ressurreição e lhes confirma na paz. Ele é a paz em plenitude, a paz da participação na vida eterna do Pai, para todos.
E para que Suas palavras não fiquem somente no ar, mostra-lhes as mãos, o peito e os pés rasgados: “Vede minhas mãos e meus pés; porque sou eu mesmo! Apalpai-me e vede que um espírito carne e ossos não tem, como me vedes tendo”. Estas palavras indicam que Jesus se apresentou como um homem normal com a mesmas características que tinha na vida mortal que os discípulos tão bem conheciam. Daí que podemos traduzir livremente por “sou o mesmo que vocês conhecem, não é outra pessoa a que estais vendo”. E em vista disso, anima-lhes a apalpar Seu corpo e a ver mãos e pés que estavam com os sinais das chagas.
Se estas palavras têm algum sentido histórico, ele é o de manifestar que Jesus está vivo, que a morte não o venceu, que a vida do além pode ter momentos em que se parece com a vida anterior como se esta seguisse e aquela fosse uma continuação. Sobre o modo de pensar de alguns teólogos que dizem que a ressurreição é uma forma de vida só espiritual, vemos como Jesus se manifesta em corpo vivo e que não existe sentido em afirmar que só o espírito vive e o corpo como que se destrói e não alcança a nova vida.
Como afirma o Catecismo, é impossível interpretar a Ressurreição de Cristo fora da ordem física e não reconhecê-la como um fato histórico, pois o corpo ressuscitado é o mesmo que foi martirizado e crucificado, ele traz as marcas de Sua Paixão. Não constitui uma volta à vida terrestre como foi o caso de Lázaro, visto que seu corpo possui propriedades novas que o situam além do tempo e do espaço. Ele passa de um estado de morte para uma outra realidade. Ele, participando da vida divina no estado de Sua glória, de modo que Paulo pode chamar a Cristo de o Homem Celeste. É por isso que Ele tem o poder de transmitir para nós a verdadeira Paz. Assim, como ontem, Jesus continua dizendo: A PAZ ESTEJA CONVOSCO!
Padre Bantu Mendonça

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Homilia Diária


Maria, em lágrimas, inclina-se e olha para dentro do túmulo. Ela já tinha, todavia, constatado que estava vazio, e tinha anunciado o desaparecimento do Senhor. Por que se inclina então ainda? Por que quer ver novamente? Porque o amor não se contenta com um único olhar. O amor é uma conquista sempre mais ardente. Ela já O procurou, mas em vão. Obstina-se e acaba por descobrir.
No Cântico dos Cânticos, a Igreja dizia do mesmo Esposo: «No meu leito, de noite, procurei aquele que o meu coração ama. Procurei-o, mas não o encontrei. Vou levantar-me e percorrer a cidade; pelas ruas e pelas praças, vistes aquele que o meu coração ama?» (Ct 3, 1-2). Duas vezes ela exprime sua decepção: «Procurei-o, mas não o encontrei!» Mas o sucesso vem, por fim, coroar o esforço: «Os guardas encontraram-me, aqueles que fazem ronda pela cidade. Vistes aquele que o meu coração ama? Mal os ultrapassei, encontrei aquele que o meu coração ama » (Ct 3,3-4).
E nós, quando é que, em nossos leitos, procuraremos o Amado? Durante os breves repousos desta vida, quando suspiramos pela ausência do nosso Redentor. Nós O procuramos na noite, pois, apesar do nosso espírito já estar desperto para Ele, os nossos olhos só veem a Sua sombra. Mas, como não encontramos nela o Amado, levantemo-nos; percorramos a cidade, ou seja, a assembleia dos eleitos. Procuremos de todo o coração. Procuremos nas ruas e nas praças, ou seja, nas passagens escarpadas da vida ou nos caminhos espaçosos. Abramos os olhos, procuremos aí os passos do nosso Bem-Amado.
Esse desejo fez Davi dizer: «A minha alma tem sede do Deus vivo. Quando irei ver a face de Deus? Sem descanso, procurai a Sua face» (Sl 42,3).
Lembro a você que ver o Senhor é ver nosso próprio destino. Nós fomos criados para a eternidade, na vida em comunhão com Deus. Chore, grite, apresente a Jesus sua tristeza e necessidade, pois Ele lhe responderá chamando o seu nome, como chamou o de Maria. E dirá: “Por que choras? Eu estava morto, mas agora vivo para sempre e tenho as chaves de tudo nas mãos. Posso abrir e fechar. Peça o que quiser e eu lhe darei“.

Padre Bantu Mendonça

terça-feira, 26 de abril de 2011

Homilia Diária

“Eu vi o Senhor!”


Maria, em lágrimas, inclina-se e olha para dentro do túmulo. Ela já tinha, todavia, constatado que estava vazio, e tinha anunciado o desaparecimento do Senhor. Por que se inclina então ainda? Por que quer ver novamente? Porque o amor não se contenta com um único olhar. O amor é uma conquista sempre mais ardente. Ela já O procurou, mas em vão. Obstina-se e acaba por descobrir.
No Cântico dos Cânticos, a Igreja dizia do mesmo Esposo: «No meu leito, de noite, procurei aquele que o meu coração ama. Procurei-o, mas não o encontrei. Vou levantar-me e percorrer a cidade; pelas ruas e pelas praças, vistes aquele que o meu coração ama?» (Ct 3, 1-2). Duas vezes ela exprime sua decepção: «Procurei-o, mas não o encontrei!» Mas o sucesso vem, por fim, coroar o esforço: «Os guardas encontraram-me, aqueles que fazem ronda pela cidade. Vistes aquele que o meu coração ama? Mal os ultrapassei, encontrei aquele que o meu coração ama. » (Ct 3,3-4)
E nós, quando é que, em nossos leitos, procuraremos o Amado? Durante os breves repousos desta vida, quando suspiramos na ausência do nosso Redentor. Nós procuramo-Lo na noite, pois, apesar do nosso espírito já estar desperto para Ele, os nossos olhos só vêem a Sua sombra. Mas, como não encontramos nela o Amado, levantemo-nos; percorramos a cidade, ou seja a assembleia dos eleitos. Procuremos de todo o coração. Procuremos nas ruas e nas praças, ou seja, nas passagens escarpadas da vida ou nos caminhos espaçosos. Abramos os olhos, procuremos aí os passos do nosso Bem-Amado.
Esse desejo fez Davi dizer: «A minha alma tem sede do Deus vivo. Quando irei ver a face de Deus? Sem descanso, procurai a Sua face» (Sl 42,3).
Lembro a você que ver o Senhor é ver nosso próprio destino. Nós fomos criados para a eternidade, na vida em comunhão com Deus. Chore, grite, apresente a Jesus sua tristeza e necessidade. Pois Ele lhe responderá chamando o seu nome, como chamou a Maria. E dirá: “Por que choras? Eu estava morto, mas agora vivo para sempre e tenho as chaves de tudo nas mãos. Posso abrir e fechar. Peça o que quiser e eu lhe darei”.

Padre Bantu Mendonça

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Homilia Diária

A Ressureição de Jesus é a Nossa Vitória.
Esta é a notícia mais importante – para a humanidade de todos os tempos – que você e eu somos enviados a anunciar: Cristo ressuscitou. Ressuscitando, Cristo venceu o mal e a morte; derrotou o pecado e as suas consequências. Ressuscitando, Cristo garantiu vida plena, vida em abundância, vida eterna para nós.
O mal e a morte estão presentes no nosso mundo, mas não têm mais a última palavra; Cristo ressuscitado venceu-os para sempre. Com Cristo, nós também venceremos o mal que nos cerca. Com Cristo, passaremos da morte para a vida.
Mais uma vez, o anúncio da Ressurreição do Senhor vem tornar mais firme a nossa esperança diante dos desafios e dificuldades que encontramos no nosso dia a dia, pois Cristo ressuscitou, Cristo está vivo no meio de nós! Ele caminha conosco e orienta a nossa história pessoal, familiar e comunitária.
Desejo que Jesus ressuscitado se faça presente em sua vida e na de todos os homens com a sua força de vida nova e de paz. Que você se deixe alcançar pelo Ressuscitado que sempre infunde coragem e paz. Desejo que você, a exemplo dos discípulos de Emaús, se deixe envolver pessoalmente pelo Ressuscitado e, assim, se torne melhor discípulo e missionário d’Ele, pois a sua ordem como Ressuscitado é: “Não tenhais medo! Ide dizer aos meus irmãos que partam para a Galileia e lá me verão!”
A Galileia de hoje é a sua casa. São os seus familiares, vizinhos, colegas e amigos a quem você deve anunciar sem medo que Ele ressuscitou verdadeiramente, como havia dito.
A você e a toda sua família continuou desejando uma Feliz e Santa Páscoa!
Padre Bantu Mendonça

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Homilia Diária

Ofereça a Jesus o que você tem de melhor e mais precioso

Estamos na Semana Santa. Semana na qual celebramos a centralidade da nossa fé que tiveram início na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, ou seja, a Paixão – subida de Jesus Cristo ao Monte Calvário, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo para a nossa Salvação; para nos resgatar das mãos do demônio, e nos transferir para o mundo da Luz, para a liberdade dos filhos de Deus. Jesus morre na Cruz para reconciliar o homem com Deus. É a semana da nossa reconciliação com Deus. É a semana da vitória da vida sobre a morte, da Graça sobre o pecado. Quando os fiéis são batizados, aplica-se a cada um deles os efeitos redentores da Morte e Ressurreição de Cristo. Por isso, o cristão católico convicto celebra com alegria cada função litúrgica desta Semana Santa que termina na celebração do Tríduo Pascal e da Páscoa.
Assim recomenda a Santa Mãe Igreja que todos os seus filhos se confessem para que, morrendo com Cristo no pecado, possam com Ele ressuscitar, na madrugada do Domingo da Páscoa para a vida eterna.
O tempo da Quaresma se prolonga até a Quinta-feira da Semana Santa. A Missa Vespertina da Ceia do Senhor é a grande introdução ao Santo Tríduo Pascal. O Tríduo Pascal tem início na Sexta-feira da Paixão, prossegue com o Sábado de Aleluia, e chega ao ponto mais alto na Vigília Pascal terminando com as Vésperas do Domingo da Ressurreição.
O Evangelho proposto nesta Segunda-feira da Semana Santa é o de Jesus que volta a Betânia – seis dias antes da Páscoa – para manifestar o Seu amor e carinho pelos amigos.
Comove ver como o Senhor tem esta amizade, tão divina e tão humana, que se manifesta num convívio frequente. Nesta visita de Jesus à Lázaro, Maria e Marta, vejo-me também na condição de acolher e receber Jesus em minha casa e vida. Jesus vem me visitar hoje. E eu quero recebê-lo com o coração aberto, alegre e agradecido por merecer Sua amizade e confiança, assim como sempre foi muito bem recebido por Lázaro, Marta e Maria, em qualquer dia e a qualquer hora, com alegria e afeto. Como havia grande respeito, atenção e caridade entre eles assim me comprometo fazer.
“São milhares aqueles que negam hospedagem para Cristo Jesus em seus corações, mas escancara-os para o mundo e suas vaidades; esses vivem com a alma cheia de vícios: a alma, sem a presença de seu Deus e dos anjos que nela jubilavam, cobre-se com as trevas do pecado, de sentimentos vergonhosos e de completa ignomínia. Ai da alma se lhe falta Cristo! Que a cultive com diligência, para que possa germinar os bons frutos do Espírito. Deserta, coberta de espinhos e de abrolhos terminará por encontrar, em vez de frutos, a queimada. Ai da alma, se seu Senhor, o Cristo, nela não habitar! Abandonada, encher-se-á com o mau cheiro das paixões, virará moradia dos vícios” diz São Macário.
Era costume da hospitalidade do Oriente honrar um hóspede ilustre com água perfumada depois de se lavar. Mas mal sentou-se Jesus, Maria tomou um frasco de alabastro que continha uma libra de perfume muito caro, de nardo puro. Aproximou-se por detrás do divã onde estava recostado Jesus e ungiu os Seus pés e secou-lhes com os seus cabelos: Trata-se de Maria Madalena que, pela segunda vez, unge o corpo santíssimo do nosso Divino Salvador.
O nardo era um perfume raríssimo, de grande valor, que ordinariamente se encerrava em pequenos vasos de boca estreita e apertada. Quebrar este vaso e derramar o conteúdo sobre a cabeça de alguém, era, entre os antigos, sinal de grande honra e distinção.
Maria ofereceu o melhor para Cristo Jesus. Ela não ofereceu um perfume barato, e sim, o melhor e o mais caro. E você? O que tem oferecido ao seu Senhor?
Façamos também nós o mesmo. Ofereçamos para Nosso Senhor aquilo que temos de melhor e mais precioso: o melhor cálice, a mais bela patena, o mais piedoso ostensório, os melhores paramentos, a nossa vida, tudo o que somos e temos. Pois, todo o luxo, majestade e beleza são poucos, perante a tamanha grandeza de Jesus.
Acolhendo o mistério redentor de Cristo e Sua Palavra, meditando os acontecimentos da nossa redenção, só poderemos crescer na alegria e na paz do Deus que nos ofertou Sua vida. Deixemos, pois, que o Espírito de Deus tome conta de nossa existência, para que sejamos conduzidos à eterna alegria da Salvação e Ressurreição.

sábado, 16 de abril de 2011

Homilia Diária

Cuidado com os próprios pensamentos e palavras

A mensagem central de hoje e de todo o Evangelho de São João é que “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho Unigênito, para que não morra todo aquele que nele crê, mas, tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). A presença de Jesus, como luz do mundo, divide inevitavelmente os seres humanos entre os que se decidem pela Luz e, por isso, ficam do lado da vida, e os que se decidem pelas trevas, ficando do lado da morte.
Assim, os fariseus, escribas e sacerdotes não descansaram enquanto não conseguiram um jeito de anular a pessoa de Jesus Cristo. Preocupados com a sua fama e a multiplicação dos milagres, estavam sem saber o que fazer. Foram muitos os enfrentamentos entre eles e Jesus, onde questionavam a pessoa de Cristo. Até que finalmente, os pontífices e os fariseus convocaram o conselho. E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida.
Decidiram matar Jesus. Resolveram matá-lo por Ele fazer o bem. Curar e ressuscitar pessoas, aconselhar-nos a seguir o caminho reto, a não nos preocupar com o dia de amanhã, e a não ter medo, mas crer n’Ele e no Pai. E o que mais indignou os pontífices ou sumo sacerdotes, foi Ele dizer que era o Filho de Deus. Para os judeus, isso foi blasfêmia
mas, na verdade, eles queriam apagar o concorrente. Então, aquele conselho foi um pré-julgamento de Jesus, onde o Filho de Deus foi, de antemão, condenado.
Também nós condenamos e até mesmo “queimamos” os nossos concorrentes, arrumando um jeito de diminuir as suas qualidades: sejam no emprego, por ciúmes daqueles colegas que são mais capazes que nós, seja aquele cara forte que “arrasa” quando chega na área.
Jesus era consciente de que um efeito – ainda que não desejado – do seu trabalho, fosse ser causa de divisão entre os partidários do imobilismo e os que lutam por um mundo novo. Por isso, inflamou a ira dos funcionários do templo e de todos os que se consideravam “os donos da verdade”.
Aproximando-nos da festa da Páscoa, vamos ao encontro do Senhor da Nova e Eterna Aliança. A Quaresma é ocasião oportuna para reforçarmos nossa decisão pela Luz, que é Cristo, e ajudarmos os que estão nas trevas a optar pela luz e abandonar a morte.
Que esta quaresma, tempo favorável da graça de Deus, nos dê as forças necessárias para renovar nossos corações, e assim possamos viver a Páscoa do Senhor, que deseja devolver-nos a alegria de viver.
Precisamos ter mais atenção para não fazer como aqueles fariseus. Ter mais cuidado com os nossos pensamentos e palavras. E lembrar, acima de tudo, o que nos disse o Ressuscitado: “Não julguem e não serão julgados! Não condenem e não serão condenados!”

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Homilia Diária

Somos Vitoriosos Através da Unção do Espirito Santo.
Mais uma vez procuravam prender Jesus, mas Ele escapou das mãos deles. Para os que meditaram o Evangelho dessa semana, além de ler a partilha, puderam perceber que durante toda a semana os fariseus tentaram prender Jesus, mas nunca conseguiam prendê-lo e nem apedrejá-lo.
Em primeiro lugar, eles não conseguiam prender Jesus e muito menos apedrejá-lo porque ainda não era a hora d’Ele viver a Sua Paixão, e nós muitas vezes em meio às doenças, ao desemprego, às tribulações na família, às dificuldades nos relacionamentos, ficamos apreensivos, nos sentimos como se já não tivéssemos mais forças para continuar. Mas saiba que nada é por acaso, e jamais Jesus deixaria que algo nos acontecesse se não for a nossa hora. Jesus pregava sabendo que os fariseus tentariam prendê-lo, mas Ele não tinha medo. Ele os incomodava, e o que O fazia perseverar era a confiança que Ele tinha no Pai. Mas essa confiança vinha da oração e, se você não reza, se você não busca a Deus em oração, todas as vezes que surgirem as tribulações em sua vida, você se sentirá derrotado, desanimado e com um sentimento de abandono. Talvez hoje você esteja assim, mas saiba que Jesus está ao seu lado e nada acontece antes da hora.
O que devemos fazer, isto sim, é entrar na pessoa deste Jesus humano que foi perseguido, que foi caluniado, que foi maltratado e que foi crucificado, mas, que no fim, saiu glorioso e vitorioso! E essa é a vontade de Deus para nossa vida, para a sua vida meu irmão, minha irmã: que você seja vitorioso, vitoriosa em meio às tribulações e perseguições que tem sofrido. Saiba e perceba que quando Jesus se sentia ameaçado Ele se retirava do meio dos homens para ficar só. E no caso de hoje, Ele retorna à fonte, ao início do Seu ministério. Vai para o Jordão onde foi batizado e onde recebeu a Unção do Espírito Santo, e a voz do Pai testemunhou a Seu favor. Assim, quando te sentires ameaçado volte às origens. Relembre do lugar onde você foi batizado e deixe que se reinflame a Unção Batismal para ser reconfirmado na fé e poder caminhar pacientemente ao encontro do Cristo vitorioso. Você foi batizado na Igreja, na casa de Deus. Se voltar para lá – como Jesus fez para se fortalecer – você sairá vitorioso. Por isso, acorde meu irmão, minha irmã. Saiba que sem Deus nada podemos fazer. Retire-se para a pia batismal, o lugar onde recebeste a Unção do Espírito Santo. E então, como Cristo, você será testemunha da Boa Nova da Salvação a todas as pessoas, começando pelos de sua casa.
Ademais, a Igreja dá muita ênfase à missão evangelizadora do cristão, à necessidade e obrigação que temos de levar a Palavra de Deus até onde nos for possível. O acolhimento da Palavra é essencial para desenvolvermos nossa fé. “A Lei chama deuses as pessoas às quais se dirigiu a Palavra de Deus”. O sinal efetivo de nossa fé se reflete nas obras que realizamos e que brotam segundo os critérios divinos, nos identificando como criaturas semelhantes a Deus. “Acaso não está escrito na vossa Lei: Eu disse: vós sois deuses?”
A verdadeira fé nos induz à disponibilidade a Deus, semelhante a de Maria na Anunciação do Anjo, tornando-nos instrumentos para Sua ação junto aos nossos irmãos. Deus sempre age através dos homens, mas nós só temos méritos quando nos colocamos conscientemente disponíveis à Sua ação.
As boas obras decorrentes de nossa fé são elementos importantes de evangelização, servindo de testemunho às nossas palavras, o que levou os contemporâneos de Jesus a afirmarem convictamente: “João não realizou nenhum sinal, mas tudo que ele disse a respeito deste homem, é verdade.” Mas, para isso, é preciso voltar a fonte batismal para sermos reabastecidos constantemente.

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